quinta-feira, janeiro 19, 2017

Hoje, é só isto.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Chá de cidreira

Circula, por aí, um "vídeo" onde se mostra um jovem a ser agredido por um bando de outros, possivelmente da mesma idade.
É perto de onde vivo.
Nada do que ali está tem apelo ou agravo. Mas o que me penaliza mais é querer que aconteça aos agressores aquilo que fizeram ao agredido. 
Não consegui, logo, calar o "bicho" que habita em mim.
 
Só vi ali o meu filho. 

quinta-feira, dezembro 29, 2016

A página da necrologia

Já não me recordo se foi no Quiosque do Sr. Vítor, ou mesmo na casa dos meus pais. Estava a ler o jornal em conjunto com o meu avô. Devia ter não mais que 10 anos. Era um jornal popular, um CM ou 24 Horas. Como é tradição nessas publicações, chegou-se à página onde se anunciam os óbitos. Fotografias de velhos, não-tão velhos, novos.
Perguntou-me o meu avô se sabia o que tinha acontecido àquelas almas. Respondi que não sabia.
"Deixaram de fumar".

Como é tão natural nesta altura do ano, quem escreve pedaços de sarjeta parecidos com este propõe-se a elaborar um balanço do ano que finda.

Não o vou fazer. Primeiro porque não sei o que é um balanço. Fosse Contabilista Certificado e tudo era mais fácil. Até fazer os trocos do tabaco.

Ao invés de lamentar o facto de grandes nomes "deixarem de fumar", não quero deixar de me lembrar do que foi o fim do ano de 2015. Cerca de 5º graus, um 5.º Andar. Fogo de Artífico.

"Vamos ser pais?"

E fomos.

E somos.


Entrem bem o ano.

Sou a prova viva de que, calhando, as resoluções de ano novo verificam-se.

terça-feira, dezembro 13, 2016

Para não variar, um lamento

Poucos dias depois de me lançar naquilo que o capitalismo ainda proporciona, fiz o que faria qualquer amador: pesquisei na gigante net por alguém que me fizesse um site ao nível do orçamento que tinha, equivalente a uma prestação mensal de um carro de gama baixa.

Veja-se bem: encontrei. Fizeram, cobraram e foram à vida deles, se é que isso se pode dizer.

Advertiram: "Daqui a um ano, tem de renovar o servidor".

Assim fiz: um ano depois, ia elaborar um e-mail para os fulanos e, eis senão quando, descubro que já não existem.

Ou seja, hoje já  não tenho site e não encontro um negócio semelhante em lado nenhum.

Acaba por ser chato.

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Notas Profissionais

Desleixei-me.

Não é porque esteja gordo, que estou. Não é porque só me lembre do que precise, embora o faça. Não é porque não tenha actividade física relevante. Não tenho.

Lembro-me de, ainda na Faculdade, um caríssimo Amigo iniciar, convidando-me para tal, um blogue a favor do SIM no referendo relativo à IVG. Naquela altura, despertam-se as noções políticas, percebe-se o lado da barricada, sem prejuízo de um qualquer progresso, ou reversão, se tudo correr mal. Ideais como Democracia, Liberdade, Dignidade Humana ou Igualdade estavam no vocabulário de todo e qualquer dia. Não havia perda de pitada da vida ocorrida no poder. Chegamos a conhecer quase todos os deputados à A.R.

Hoje, em vésperas de uma eleição importante, percebo que não tomei parte em rigorosamente nada daquilo que lhe diz respeito.

Clarificando, elaboro sobre o meu absentismo no dossier "Eleições para a O.A".

Votei, claro que votei. Votei em branco.

Porque pensei "Eles são todos iguais, querem é visibilidade".

Porque não vi um debate.

Porque não abri um mail de candidaturas.

Nada. Nadinha.

Mal ou bem, um bastonário tem peso. Muito ou pouco, influencia a vida da Ordem.

Estou descrente, é o que estou. Deixei de acreditar.

Já vai para anos em que deixei de acreditar em intervenientes públicos. O último em quem pensei que poderia mudar qualquer coisa para melhor chegou a estar detido.

Em suma, nhé.


terça-feira, novembro 29, 2016

Contributo para um estudo sobre o conceito de normalidade: de REO Speewagon a Bon Jovi

Não sou sociólogo, pelo que também não sei se cabe à sociologia explicar o que são comportamentos normais. Ser normal. Se calhar, cabe à psicologia.

Lobo Antunes escreveu "A morte de Carlos Gardel".

Carlos Gardel era um portentoso compositor de Tangos. Isto, para quem não saiba, não esclarece se era Bartender ou Músico.

Vamos partir do princípio que era Bartender. O Tango é uma bebida composta por cerveja e groselha. Num como, vertem-se cerca de dois dedos de groselha. Depois, mistura-se a cerveja.

Dá um ar "amaricado", mas serve perfeitamente para acompanhar uma interpretação de "Por una cabeza". É ver o "Perfume de Mulher".

Dito isto, nesta composição que se assemelha a algo escrito por John Doe, do Seven (What's in the box?), quero concluir com uma questão, o que é, igualmente, normal.

Como apreender o grau máximo da lamechice? A lamechice é-me cara, uma vez que a exerço. Com veemência.

Lembrei-me de REO Speedwagon e Bon Jovi. Lembrei-me de I Can't Fight this Feeling e Always.


quarta-feira, novembro 16, 2016

Da Representação Voluntária em Direito Civil

Algures nos anos 90, Pedro Albuquerque, filho de Ruy, decide doutorar-se em Direito e inicia a escrita da sua tese, cujo título supra reproduzo. Trata-se de uma obra fascinante, bem documentada, precisa, capaz de resolver os inúmeros problemas que a disciplina da representação traz. Pessoalmente, não seria capaz de ter concluído a minha licenciatura sem me ter cruzado com tão estimulante escrito.

Com o que acabo de escrever, duas coisas podem acontecer:

a) os motores de pesquisa passaram a incluir este texto quando alguém pesquisar por "Representação Voluntária";

b) Quem me ler, desistir.

As fotografias têm a faculdade de se inserir na previsão da norma constante de um qualquer artigo que fala em Documentos.

Estive a ver umas poucas em que consto.

Passam-se anos, quilos, pessoas. Já quase nada do que ali vi existe, no sentido que gosto de dar à existência. Foram-se as pessoas e os anos. Os quilos, como um conhecido da primária que engraçou connosco e de quando em vez quer ir lá jantar a casa, vieram.

Tudo bem, se gosto de chanfana, pago o preço. Se aprecio coisas que não saem de mim sem ginásio, ora pois.

O que mais me fascina é a roupa. A roupa, juntamente com a qualidade da imagem, é o principal GPS para localizar o evento e momento no tempo.

E nem aí. Nem. Aí.

Lembro-me de ficar melhor em roupa menos cara do que agora. Há uma foto específica, tirada numa noite que me recordo perfeitamente, que é fatal. Uma camisa que já não existe, umas calças que me servem, não em duas, mas uma perna, e um blusão, que resistiu.

Pedro de Albuquerque, que percebe tanto de representação, nunca me sossegou e escreveu sobre a representação nas fotografias. O Direito pouco diz sobre a passagem dos anos, quilos e pessoas.

Hoje mesmo, precisamente hoje, uma fotografia passou a fazer parte do passado.

Até há umas largas horas, era só uma fotografia com meses. E poucos. Agora, é uma fotografia tão válida como a de uma criança, que agora tira o Doutoramento.

Doutoramento que Pedro de Albuquerque começou a concluir nos anos 90.